Literatura Portuguesa




Literatura Portuguesa
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Época Medieval


Século XII (Fundação de Portugal) - Século XVI (Descobrimentos) 
  
1.º PeríodoPoetas e Prosadores (1196-1385)

Lopes de Baião
Afonso Meéndez de Beesteiros
Afonso Sanches
Airas Nunez
Airas Paes
Estevam Coelho
Fernam Velho
Fernand'Esquio
Joam Garcia de Guilhade
Joam Lopes d'Ulhoa
Joam Mendes de Briteiros
Joam Perez d’Avoim
Joam Zorro
Lourenço, jograr
Martim Codax
Martin de Ginzo ou de Grijó
Meendinho
Nuno Trees
Pai Gomes Charinho
Pero Garcia Burgalês
Pêro Mafaldo
Pêro Viviaez
D. Sancho I

Cantigas de Amor
Afonso Lopes de Baião
Afonso Meéndez de Beesteiros
D. Afonso X
Bonifacio Calvo
Fernam Garcia Esgaravunha
Fernam Velho
Joam Airas de Santiago
Joam Baveca
Joam Garcia de Guilhade
Joam Lobeira
Joam Perez d’Avoim
Joam Servando
Joam Soares Coelho
Martim Moia
Pai Gomes Charinho
Pai Soares de Taveirós
Pero Garcia Burgalês
Pero Goterres, Cavaleiro
Pêro Mafaldo
Roi Paes de Ribela
Vidal, judeu d'Elvas

Cantigas de Escárnio e Maldizer
Afonso Lopes de Baião
Afonso Meéndez de Beesteiros
Airas Nunez
Airas Perez Vuituron
Diego Pezelho
D. Dinis
Estevam da Guarda
Fernam Garcia Esgaravunha
Fernam Velho
D. Gil Sanches
Joam Airas de Santiago
Joam de Gaia, escudeiro
Joam Garcia de Guilhade
Joam Lobeira
Joam Perez d’Avoim
Joam Soares Coelho
Martim Moia
Martim Soares
Osoir'Anes
Pedr'Amigo de Sevilha
Pero Garcia Burgalês
Pero Larouco
Pêro Mafaldo
Picandon
Roi Paes de Ribela

Prosa Doutrinal e Religiosa (Traduções)
Tradutores do Mosteiro de Alcobaça

Capitulários, Cronicões, Nobiliários;
Novelas de Cavalaria: Cantar de Mio Cid, Ciclo clássico ou greco-latino, Ciclo carolíngio, Ciclo bretão, Amadis de Gaula.
Testamento de Lorvão, Livro de Mumadona, Livro Preto, Liber Fidei, Censual, Crónica Geral de Espanha de 1344, Nobiliário do Conde D. Pedro I;
Ciclo clássico: Roman de Thèbes;
Ciclo carolíngio: Chanson de Roland;
Ciclo bretão (Rei Artur e os Cavaleiros da Távola Redonda): Demanda do Santo Graal, Merlin, José de Arimateia, etc.


Período: Poetas Palacianos e Cronistas (1385-1527)


Airas Teles
Álvaro de Brito Pestana
Anrique de Almeida Pássaro
Anrique da Mota: Farsa do Alfaiate
Bernardim Ribeiro
Conde de Vimioso
Diogo Brandão
Diogo de Melo
Duarte de Brito
Duarte da Gama
Fernão da Silveira, Coudel-mor
Francisco Mendes de Vasconcelos
Dr. Francisco de Sá [de Miranda]
Francisco da Silveira
Francisco de Sousa
Garcia de Resende
João Barbato
D. João Manuel
D. João de Meneses
João Roiz de Castelo Branco
João da Silveira
Jorge d'Aguiar
Jorge Manrique
Jorge de Resende
Jorge da Silveira
Luís Anriques
Luís de Azevedo
Luís da Silveira
Nuno Gonçalves
Nuno Pereira
D. Rodrigo de Castro
Rui Gonçalves
Sancho de Pedrosa

Prosa moralista:
   • desportiva
   •
educativa
D. João I: Livro da Montaria
D. Duarte: Livro da Ensinança de Bem Cavalgar Toda a Sela
D. Pedro: Livro da Virtuosa Benfeitoria
D. Afonso V: Constelação de Cão, Cartas

Crónicas
Gomes Eanes de Zurara
Rui de Pina
outros cronistas




Época Clássica


Século XVI (Descobrimentos) - Século XIX (Revolução Francesa e Invasões)

de cerca de 1527 até 1825 (data da publicação do poema Camões de Almeida Garrett)
 



1.º Período: Renascimento, Humanismo, Classicismo - de 1527 a 1580 (data da morte de Camões)


Poesia
Lírica
Bernardim Ribeiro
Diogo Bernardes
Gil Vicente
António Ferreira
Jorge Ferreira de Vasconcelos
Chiado
Camões
Sá de Miranda
Épica
Camões | 1 | 2 |

Prosa Quinhentista
Historiografia
Damião de Góis
João de Barros
Diogo de Couto
Gaspar Correia
Gaspar Frutuoso
Literatura de Viagens
Fernão Mendes Pinto: Peregrinação |1 | 2 |

Novelas
Bernardim Ribeiro: Menina e Moça
Francisco de Morais: O Palmeirim
Jorge de Montemor: Diana

Prosa Mística
Frei Heitor Pinto
Frei Tomás de Jesus
Frei Amador Arrais
Samuel Usque





2.º Período: Barroco (Seiscentismo ou Escola Espanhola)
 
de 1580 a 1756 (data da fundação da Arcádia Lusitana ou Ulissiponense)


(Academias Literárias)
Lírica
As colectâneas poéticas: A Fénix Renascida e Postilhão de Apolo;
André Nunes da Silva
António Barbosa Bacelar
António da Fonseca Soares
António Serrão de Crasto
D. Francisco de Portugal
Francisco Manuel de Melo
Francisco de Vasconcelos (Coutinho)
Gregório de Matos (Guerra)
Francisco de Pina e de Melo
Jerónimo Baía
Soror Madalena da Glória
Manuel Botelho de Oliveira
Manuel da Veiga Tagarro
Soror Maria do Céu
Rodrigues Lobo
D. Tomás de Noronha
Tomás Pinto Brandão
Soror Violante do Céu

As colectâneas poéticas: A Fénix Renascida e Postilhão de Apolo

Épica
Rodrigues Lobo: O Condescendente

Dramática
D. Francisco Manuel de Melo: O Auto do Fidalgo Aprendiz

(Academias Literárias)
Oratória
Frei António das Chagas
Padre António Vieira
Padre Bartolomeu de Quental
Padre Manuel Bernardes
...

Didática
Rodrigues Lobo: Corte na Aldeia
D. Francisco Manuel de Melo: Apólogos e Carta de Guia de Casados

Epistolar
Padre António Vieira
D. Francisco Manuel de Melo
Frei Lucas de Santa Catarina
Frei Pedro de Sá

Histórica
Frei Luís de Sousa
D. Francisco Manuel de Melo
Monarquia Lusitana (Historiadores de Alcobaça: Frei Bernardo de Brito, Frei António Brandão)





3.º Período: Neoclassicismo (Século das Luzes ou Escola Francesa)
 
de 1756 a 1825 (data da publicação do poema Camões de Garrett)

Arcadismo
Poesia Lírica
Cruz e Silva
Correia Garção

Poesia Satírica
Cruz e Silva
Correia Garção
Nicolau Tolentino de Almeida (Dissidente)

Teatro
Correia Garção

Prosa Doutrinária (Reformadores)
Luís António Verney
Francisco Xavier de Oliveira (Cavaleiro de Oliveira)
António Nunes Ribeiro Sanches

Pré-Romantismo
Poesia Lírica
Tomás António Gonzaga
Marquesa de Alorna
Nicolau Tolentino de Almeida

Poesia Satírica






Época Moderna

Século XIX e Século XX (de cerca de 1825 até à 2.ª Grande Guerra)




1.º Período: Romantismo

de 1825 a 1865 (data da Questão Coimbrã) ou 1871 (data das Conferências do Casino)


Poesia Lírica
Alexandre Herculano
António Feliciano de Castilho

Poesia Narrativa
Almeida Garrett

Poesia Dramática
Almeida Garrett

Prosa Dramática

Prosa Narrativa
Alexandre Herculano

Historiografia
Alexandre Herculano

Ultra-Romantismo
Poesia Lírica
António Feliciano de Castilho
João de Lemos
Tomás Ribeiro
Soares de Passos
Transição entre o Romantismo e o Realismo
Poesia Lírica
João de Deus

Prosa Narrativa
Júlio Dinis




2.º Período: Do Realismo ao Pré-Modernismo

de 1865 ou 1871 a 1915

Realismo e Naturalismo
Geração de 70
Realismo
Naturalismo
Teófilo Braga
Gomes Leal
Oliveira Martins
Guilherme de Azevedo
João de Deus
Guerra Junqueiro
Fialho de Almeida
Abel Botelho
Ramalho Ortigão
Trindade Coelho
Parnasianismo
Realismo e Concretismo
João Penha

Simbolismo e Decadentismo
Imagens, símbolos, alegorias
Eugénio de Castro
António Patrício
Teixeira Gomes
António Nobre
Raul Brandão

Neogarretismo
Gosto pelo popular e tradicional
António Nobre
Afonso Lopes Vieira
António Correia de Oliveira
Augusto Gil
Alberto de Oliveira

Saudosismo
Nacionalismo
Teixeira de Pascoaes
Raul Brandão
Tendências neorromânticas
Tradicionalismo e Sentimentalismo
António Nobre
Florbela Espanca

Poesia e prosa do início do século XX
Decadentismo-simbolismo
Poesia pós-simbolista
Prosa pós-naturalista
Regionalismo
Alberto Pimentel
Júlio Dantas
Mário de Sá-Carneiro
Aquilino Ribeiro



3.º Período: Modernismo (1915-1945 ou 1915-década de 1960)

  

(Grupo do Orpheu)
Decadentismo
Simbolismo
Paulismo
Futurismo
Interseccionismo
Sensacionismo
 Esteticismo
Impressionismo
Almada Negreiros
Mário de Sá-Carneiro
Alfredo Guisado
Ângelo de Lima
Luís Montalvor
2.º Modernismo

(Grupo da Presença)
Valorização da inovação poética, originalidade, autenticidade
Adolfo Casais Monteiro
Adolfo Rocha (Miguel Torga)
Afonso Duarte
Alberto de Serpa
António de Navarro
Branquinho da Fonseca
Branquinho da Fonseca (António Madeira)
Carlos Queiroz
Fausto José
Francisco Bugalho
João Gaspar Simões
José Régio
Saul Dias

3.º Modernismo (?)
       A nossa tradição crítica moderna consagrou as designações de Primeiro e Segundo Modernismos. Já o mesmo se não passa com a de Terceiro Modernismo. A esta designação alude por mais de uma vez Óscar Lopes (1987: 770, e 1990: 88 e 91-92), associando-a quer aos anos 40 quer ao «heterogéneo vanguardismo do pós-Guerra» ou ainda ao Modernismo dos anos 40-50-60. Luís Adriano Carlos retoma a designação, desenvolve-a e vincula-a claramente à Geração dos Cadernos de Poesia (2002: 240-242), que, no seu entender, pretenderia estabelecer um contacto directo com o Modernismo do Orpheu, «sem a mediação interpretativa da presença e contra uma certa desvalorização por parte dos neo-realistas». Embora os poetas que associamos aos Cadernos de Poesia realizem urna importante mudança no quadro de referências internacionais da nossa lírica modernista, seja por via do Modernismo anglo-americano ou do Imagismo da Geração espanhola de 27 ou do interesse despertado pelas traduções de Paulo Quintela de Hölderlin e Rilke, a verdade é que os neo-realistas não podem ser excluídos da nossa tradição modernista, uma vez que é bem sabida a importância de que se revestiu o exemplo, para uns, do versilibrismo de Campos e Caeiro, e, para outros, de poetas do Segundo Modernismo, como Afonso Duarte, Miguel Torga ou Casais Monteiro. Seja como for, a nós se nos afigura, não obstante a necessidade de vincar a singularidade da Geração dos Cadernos de Poesia, ser discutível a introdução de uma nova categoria periodológica, parecendo-nos, antes, preferível sublinhar o que Manuel Antunes, num artigo dos anos 50, considerou ser a persistência do Modernismo na poesia dessa década (1987: 179-183 ), acrescentando-lhe a observação de Óscar Lopes relativamente a um Modernismo dos anos 40-50-60, e tendo também em conta ser hoje claro que esse paradigma modernista começa a entrar em crise na passagem para a década de 70, justificando, de algum modo, a referência, a partir de então, a uma nova categoria periodológica, o Pós-Modernismo.
(BIBL.: CARLOS, Luís Adriano, «A Geração dos Cadernos de Poesia», in História da Literatura Portuguesa, 7. As Correntes Contemporâneas, ed. Óscar Lopes e Maria de Fátima Marinho, Lisboa, Alfa, 2002; MARTINHO, Fernando J. B., «Limites Cronológicos do Modernismo Poético Português», in Largo Mundo Alumiado: Estudos em Homenagem a Vítor Aguiar e Silva, vol. I, ed. Carlos Mendes de Sousa e Rita Patrício, Braga, Universidade do Minho, 2004.)
Fernando J. B. Martinho, in Dicionário de Fernando Pessoa e do Modernismo Português,
coord. Fernando Cabral Martins, Lisboa, Caminho, 2008

Época Contemporânea


da Segunda Grande Guerra ao final do século XX  

(Dada a diluição dos géneros, a fusão dos temas e a fluidez das fronteiras entre correntes e movimentos e a própria evolução dos autores, este quadro apresenta-se apenas como uma tentativa de sistematização não exaustiva nem fechada)  

do Neorrealismo ao final do século XX 
Anos 1940

Influência da Presença
Autores ligados directamente à Presença ou que indirectamente sofreram a influência das suas ideias.
Irene Lisboa
José Rodrigues Miguéis
Tomás de Figueiredo
Domingos Monteiro
Joaquim Paço d’Arcos
António Botto
José Marmelo e Silva

Precursores do Neorrealismo
Temas rurais e regionais, problemas sociais.
Aquilino Ribeiro
Ferreira de Castro

Neorrealismo
Valorização da dimensão ideológica da criação literária e a sua capacidade de intervenção política e social (influência de Marx) ‑ consciência das classes mais desfavorecidas, preocupação com as injustiças sociais, luta pela liberdade, defesa dos oprimidos, arte ao serviço do homem contra a opressão.
Alves Redol
Soeiro Pereira Gomes
Carlos de Oliveira
Mário Dionísio
Na ordenação dos adeptos do Neorrealismo, é preciso ter em conta o seguinte:
1) alguns foram ou são conscientemente neo-realistas, de obra, de acção e, não raro, de pensamento político;
2) alguns outros foram ou são neorrealistas por coincidência, quer seguindo os ditames da vocação literária pessoal, quer, ao mesmo tempo ou não, recebendo os naturais eflúvios do ambiente neo-realista, em especial durante os anos da II Grande Guerra.
Seja entre os do primeiro grupo, seja entre os do segundo, houve escritores que não aceitaram senão parcialmente a nova moda, e evoluíram por trilhas próprias, tornaram-se autónomos e muitas vezes contraditórios; também houve outros que foram atenuando, no decurso de sua trajetória, a rigorosa ortodoxia do começo.
Além de Alves Redol, podemos agrupá-los, indistintamente: Soeiro Pereira Gomes, Faure da Rosa, Carlos de Oliveira, Manuel da Fonseca, Romeu Correia, José Marmelo e Silva, Leão Penedo, Manuel do Nascimento, Vergílio Ferreira, Fernando Namora, Rogério de Freitas, Afonso Ribeiro, Aleixo Ribeiro, Assis Esperança, Alexandre Cabral, Tomás Ribas, Garibaldino de Andrade e tantos outros. Ainda há que acrescentar a figura de Ferreira de Castro, cuja obra romanesca pressagia claramente o movimento neorrealista.

(Massaud Moisés, A Literatura Portuguesa, São Paulo, Editora Cultrix, 1960)
Cadernos de Poesia
Poesia Pura
Tomás Kim
Surrealismo
Valorização do sonho e das manifestações do inconsciente (influência de Freud); inconformismo e fantasia; gosto do insólito.
António Maria Lisboa
Mário-Henrique Leiria
José Augusto França
Jorge de Sena
António Pedro
Ruben A.
Neoabjecionismo "é uma ideia de gozo... é o gozar com o neorrealismo" (Luiz Pacheco) Luiz Pacheco |1|2|3|4|5|
Entre a Presença e o Neorrealismo e o Surrealismo
Temáticas sociais; fantástico



Encenar a vida nos anos 1940
em Portugal:
Dos pequenos palcos às grandes exposições do Estado, passando ainda pela representação em cinema.
No contexto de uma visão geral da história da cultura e das artes em Portugal nesta década do séc. XX, o programa visa interrogar modelos de representação artística na sua relação com a vida política, social e intelectual desse período, reportando-se quer a temáticas (viver em guerra, habitar o bairro, louvar o ruralismo, desenhar uma vocação colonial, definir "o lugar de cada um"), quer a configurações representacionais (que atravessam a arquitectura, as artes plásticas, a música, a dança, a canção, a fotografia, o cinema, a moda...), quer ainda à negociação com o interdito.
Maria Helena Serôdio. In Programa de Mestrado em Estudos de Teatro 2013-2014, Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa
Diário da República, 2.ª Série, n.º 60, de 26 de Março de 2010. Despacho n.º 5554/2010
Bibliografia seleccionada
AA.VV. (1982). Os anos 40 na arte portuguesa: A cultura nos anos 40. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian.
ACCIAIUOLI, Margarida (1998). Exposições do Estado Novo 1934-1940. Lisboa: Livros Horizonte.
AZEVEDO, Cândido de(1999). A censura de Salazar a Marcelo Caetano. Imprensa, teatro, cinema, televisão, radiodifusão, livro. Lisboa: Caminho.
DOS SANTOS, Graça (2002). Le spectacle dénaturé : Le théâtre sous le règne de Salazar (1933-1968). Préface de Robert Abirached. Paris : CNRS (trad. port. O espectáculo desvirtuado. Lisboa: Caminho, 2004).
MARTINS, Maria João (1994).O paraíso triste: O quotidiano em Lisboa durante a II Guerra Mundial. Lisboa: Vega.
Ó, Jorge Ramos do (1999). Os anos de Ferro: O dispositivo cultural durante a ‘Política do Espírito’ 1933-1949. Lisboa: Editorial Estampa.
PERNES, Fernando (Coord.) (2002). Século XX: Panorama da Cultura Portuguesa (3 vols.). Porto: Serralves & Afrontamento.
REBELLO, Luiz Francisco (2004). O palco virtual. Lisboa: Edições Asa.
ROSAS, Fernando / BRITO, J. M. Brandão de (Dir.) (1996). Dicionário de História do Estado Novo, 2 vols. Venda Nova: Bertrand Editora.
SANTOS, Vítor Pavão dos (2001). «Guia breve do século XX teatral», in Século XX: Panorama da cultura portuguesa. Coord. De Fernando Pernes. Porto: Serralves & Afrontamento, pp.187-312.
SCARLATTI, Eduardo (1943-46 ). Em casa de «O Diabo»: Subsídios para a história do teatro (4 Vols.). Lisboa: s/n.
TORGAL, Luís Reis (Dir.) (2001). Estudos do séc. XX, N.º 1: Estéticas do século. Coimbra.
TORGAL, Luís Reis (Coord.), (2000), O cinema sob o olhar de Salazar. Círculo de Leitores.

Anos 1950
Realismo contraditório
Revista Árvore  ‑ poesia autêntica que, como a árvore, mergulhe raízes na vida, mas se erga para o alto.
António Ramos Rosa
Raul de Carvalho

Geração de 50”
Auto-análise subjectiva, recusa do compromisso ideológico
Vergílio Ferreira
José Cardoso Pires
Augusto Abelaira
Fernanda Botelho

Existencialismo
A existência precede a essência; livre escolha.

À margem de qualquer grupo
Fusão de experiências do romance português anterior com uma visão pessoal da cultura e sociedade portuguesas.
Agustina Bessa-Luís


A partir de 1960

Experimentalismo e Poesia 61
Experimentalismo
Almeida Faria
Nuno Bragança
Álvaro Guerra
Maria Teresa Horta
Maria Velho da Costa
Luísa Neto Jorge
Fiama Hasse Pais Brandão
Casimiro de Brito
Ana Hatherly
Alberto Pimenta
Salette Tavares

Concretismo
Utilização dos aspectos concretos do significante, poesia visual, abolição da sintaxe e do verbo
E. M. de Melo e Castro
Ana Hatherly
Salette Tavares
António Aragão
Alexandre O'Neill
António Ramos Rosa
Herberto Hélder

Novo Romance
Contra as normas do romance; “a arte se exprime a si mesma
Artur Portela Filho
Alfredo Margarido

Experimentalismo
pós-nouveau roman
Síntese de experiências modernistas com um neossimbolismo de origem rilkeana
Herberto Hélder
João Palma-Ferreira
Maria Isabel Barreno
Nuno Bragança
Álvaro Guerra
Maria Teresa Horta
Maria Velho da Costa

A literatura como arma contra a ditadura e a guerra colonial
Apesar de esta tendência, que aqui designamos como poesia de intervenção, não existir enquanto movimento literário autónomo (e, em rigor, com ela possamos relacionar autores das mais distintas profissões de fé estético-literárias), adotamos a proposta terminológica sugerida por Óscar Lopes: «Em termos de poesia de qualidade, não é possível isolar uma tendência de intervenção política ou de intenção realista, pois ela manifesta-se, e por vezes de modo bem vivo, em obras de sensibilidade tão diferente como as de Jorge de Sena, Sophia de Mello Breyner, Alexandre O’Neill […] Vamos no entanto agrupar um conjunto de poetas cuja fase de consagração se liga a uma clara atitude de polémica ou de crítica social (Lopes e Saraiva, 1996:1069 apud Sílvia Cunha, 2008:47)
Urbano Tavares Rodrigues
Augusto Abelaira
Herberto Hélder
Sttau Monteiro

Realismo histórico

(anos 80)
A história e a sua discussão,
a realidade e a fantasia,
o poético,
o empenho social e interventor,
as preocupações regionais.
Lídia Jorge
Mário de Carvalho
Bernardo Santareno
Romeu Correia
Agustina Bessa-Luís
Fernanda Botelho
Nuno Bragança
João Aguiar
Luísa Beltrão
Álvaro Guerra
José Cardoso Pires
Augusto Abelaira
Urbano Tavares Rodrigues
Fernando Campos
Psicologismo
Realidade interior da psique

Percursos individuais

António Ramos Rosa
Herberto Hélder |1|2|3|4|5|6|7|8|9|10|11|12|13|14|15|16|17|
Pedro Tamen
Nuno Júdice
Teresa Rita Lopes
Manuel Gusmão
Teolinda Gersão
Maria Gabriela Llansol
Mário Cláudio
Al Berto |1|2|3|4|5|6|7|8|9|10|11|12|13|14|15|16|17|18|19|

Adaptado do quadro sinóptico da Literatura Portuguesa proposto por João Seixas e La Salette Loureiro, in Em Todos os Sentidos, Porto Editora, 2003.



A LITERATURA PORTUGUESA DA DÉCADA DE 70 ATÉ FINAL DO SÉCULO XX



    ÉPOCA PÓS-MODERNA

    Muito resumidamente, digamos que a atmosfera pós-moderna tem sido encarada sob a égide de um profundo cepticismo em face das ideias positivistas do progresso científico e de todas as principais «metanarrativas» (Lyotard) que desde o Iluminismo se propõem libertar e emancipar a humanidade da ignorância, da servidão, da pobreza ou da alienação, graças ao uso das faculdades da razão. É do lento desgaste (ou até da posterior falência) de algumas dessas utopias que recolhemos hoje consequências, das quais a mais importante consiste provavelmente num decréscimo de confiança perante o futuro, que antes surgia risonho e agora nos reserva uma incógnita e permanece aberto a certas pulsões irracionais que voltam à superfície e se plasmam, por exemplo, no exacerbamento de conflitos nacionalistas, religiosos, etc.

Fernando Pinto do Amaral, “Anos 70 e 80. Poesia” in História da Literatura Portuguesa. Volume 7. As Correntes Contemporâneas, Lisboa, Publicações Alfa, 2002





    POESIA DOS ANOS 70 E 80 DO SÉCULO XX

    Ausência de grupos homogéneos e emergência de obras individuais, onde ressalta o regresso a um certo lirismo e a uma expressividade mais próxima das sensações e dos sentimentos individuais. Integração da tradição literária.” (idem)



Referência a alguns poetas dos anos 70:

Al Berto
Alberto Pimenta
Alexandre Vargas
António Manuel Pires Cabral
António Osório
Diogo Pires Aurélio
Eduardo Pitta
Emanuel Jorge Botelho
Fernando Assis Pacheco
Fernando Guerreiro
Gastão Cruz
Helga Moreira
Helder Moura Pereira
Isabel de Sá
Joaquim Manuel Magalhães | 1 | 2 |
Joaquim Pessoa
Jorge Fallorca
Jorge Guimarães
José Agostinho Baptista
José Bento
José Jorge Letria
Manuel António Pina
Nuno Guimarães
Nuno Júdice
Paulo da Costa Domingues
Paulo Teixeira
Rogério Carrola
Rui Baião
Rui Diniz
Vasco Graça Moura


Referência a alguns poetas dos anos 80:

Adília Lopes
Alberto Soares
Américo Teixeira Moreira
Ana Mafalda Leite
António Cabrita
António Cândido Franco
António José Queirós
António Magalhães
António Manuel Azevedo
Arnaldo Saraiva
Avelino de Sousa
Carlos Alberto Braga
Carlos M. Couto S. C.
Carlos Poças Falcão
Cecília Barreira
Eduarda Chiote
Eduardo Paz Barroso
Eugénio Lisboa
Fátima Maldonado
Fátima Murta
Fernando Gândra
Fernando J. B. Martinho
Fernando Luís
Francisco José Viegas
Francisco Palma Dias
Gil de Carvalho
Graça Videira Lopes
Inês Lourenço
J. Guardado Moreira
Joana Morais Varela
João Camilo
João Luís Barreto Guimarães
Jorge Aguiar Oliveira
Jorge de Sousa Braga
Jorge Fazenda Loureiro
Jorge Velhote
José Alberto Braga
José António de Almeida
José do Carmo Francisco
José Oliveira
Laureano Silveira
Luís F. Adriano Carlos
Luís Filipe de Castro Mendes
Luís Miguel Nava
Luís Parrado
Manuel Fernando Gonçalves
Manuel Gusmão
Manuel Resende
Manuel Serras Pereira
Manuela Amaral
Maria Alzira Seixo
Maria de Lourdes Belchior
Mário Cláudio
Miguel Serras Pereira
Nuno Artur Silva
Nuno Vidal
Paulo E. Borges
Paulo Tunhas
Rosa Alice Branco
Rosette Lino
Rui André Delídia
Rui Magalhães
Silva Carvalho
Teresa Rita Lopes
Teresa Tudela




    POESIA DOS ANOS 90 DO SÉCULO XX


    A poesia dos anos 90 é particularmente marcada pela articulação do poema com a experiência emocional do mundo, sendo esta entendida não num sentido puramente afectivo, mas numa relação que é simultaneamente sentimental e heurística. Poderíamos, assim, destacar uma atitude geral de recolhimento nesta poesia, perceptível tanto na valorização do particular, do circunstancial e do privado como na importância de que se pode revestir, para alguns poetas, a meditação espiritual ou introspectiva. Em qualquer dos casos, é possível observar que a poesia se joga na tensão entre o reconhecimento de mundos habituais, ou de algum modo circunscritos, e a abertura desses mesmos mundos através de efeitos de estranhamento frequentemente provocados pela incidência de um olhar transfigurador. O «tom menor», tantas vezes privilegiado por muitos dos poetas aqui referenciados, deve ser articulado com a auto-apreensão de uma subjectividade que se diria procurar ainda nas pequenas coisas uma experiência de infinitude capaz de suspender a permanente disseminação de um inundo plural, sem centro e sem limites.

Rosa Maria Martelo, “Anos 90. Poesia” in História da Literatura Portuguesa. Volume 7. As Correntes Contemporâneas, Lisboa, Publicações Alfa, 2002



 Referência a alguns poetas dos anos 90:

Agripina Costa Marques
Ana Luísa Amaral
António Gancho
Carlos Luís Bessa
Carlos Saraiva Pinto
Daniel Faria
Daniel Jonas
Fernando Martinho Guimarães
Fernando Pinto do Amaral
Firmino Mendes
Francisco Duarte Mangas
Helena Carvalhão Buescu
Isabel Cristina Pires
João Luís Barreto Guimarães
Jorge Manuel Gomes Miranda
Jorge Reis-Sá
José Alberto Oliveira
José Alberto Quaresma
José Guardado Moreira
José Ricardo Nunes
José Tolentino Mendonça
Luís Quintais
Manuel Gusmão
Maria Carlos Loureiro
Maria Rosário Pedreira
Nuno Félix da Costa
Paulo Jorge Fidalgo
Paulo José Miranda
Paulo Pais
Pedro Mexia
Rita Taborda Duarte
Rosa Alice Branco
Rui Pires Cabral
Sebastião Alba
Sérgio Pereira
Susana Secca Ruivo
Valter Hugo Mãe
Vasco Ferreira Campos






    PÓS-MODERNISMO NO ROMANCE PORTUGUÊS CONTEMPORÂNEO


A ruptura (que não significa oposição total e absoluta ao movimento cuja designação faz parte do novo termo), depois da iconoclastia de um Primeiro Modernismo, do retrocesso da Presença, da preocupação marcadamente ideológica do Neo-Realismo ou da respigada ousadia do Surrealismo, ocorre na ficção portuguesa contemporânea (e em virtude de nítidas influências norte-americanas) principalmente depois da publicação de O Delfim de José Cardoso Pires. Se bem que retomando coordenadas estéticas e ideológicas da produção literária de movimentos anteriores (principalmente de correntes dos séculos XIX e XX, ou não fosse o efeitomanta de retalhos’ uma das características liminares da nova estética post-modernista), este é o romance que, pela modalização levada a cabo, evidencia tendências e características outras que delas o distanciam.

Por outras palavras, o que legitima do ponto de vista institucional-literário o novo período consubstancia-se, em primeiro lugar, na existência de marcas inovadoras, não porque sejam algo de inédito mas porque, precisamente, passam a ser traduzidas e vertidas na escrita através de utilizações modalizadas, logo diferentes, de características que marcaram períodos anteriores. Em segundo lugar, mas não menos importante, porque algumas das técnicas e dos artifícios de narração a que anteriormente apenas pontualmente se recorria são, agora, sistematicamente utilizados em termos e em número suficientemente latos para alcançarem o estatuto de características passíveis de integrar o novo sócio-código.

Referimo-nos, destarte, à polifonia narrativa, à fluidez genológica, à modelização paródica da História e da história, e aos exercícios metaficcionais ou auto-reflexivos. […]

Em termos genéricos, se no passado o autor permitia o cumprimento do contrato coleridgiano que conduzia à suspensão voluntária da descrença, a tendência contemporânea aponta no sentido inverso — o da suspensão voluntária da crença (na história, e na História, e na sua construção). É agora possível, pois, observar-se a destruição da ilusão criada pelas ficções anteriores, essas em que a quase ausência de intromissões do narrador, quer acerca da história quer acerca do modo como esta se tece, transportava o leitor para o mundo da ilusão narrativa, para um real cuja validade equivalia ao tempo da leitura.

Ana Paula Arnaut, Post-Modernismo no Romance Português Contemporâneo, Coimbra, Livraria Almedina, 2002, pp. 356-357.
  
  
  


    FICÇÃO DOS ANOS 70 DO SÉCULO XX

·         São muitas as tendências que percorrem a novelística dos anos 70.
·         Nestes anos convergem uma nova digestão da concepção neo-realista e a definitiva assimilação da problemática existencialista e das experiências e artifícios do nouveau roman francês.
·         Relevo para a exploração da palavra, valorização da escrita e supremacia do particular e do subjectivo.
·         Recuperação da História enquanto matéria ficcional, exploração da memória da guerra e das imagens do Ultramar ou da vivência em torno da revolução de Abril.
·         Observação de um real insólito e marginal.
·         O redimensionamento da História em Agustina, Almeida Faria, Jorge de Sena, Saramago, Carlos de Oliveira.
·         O imaginário português e o sentido da História em João de Melo, Álvaro Guerra, Fernando Assis Pacheco, José Martins Garcia, Lobo Antunes.
·         A importância da crónica e a tendência para a exploração de formas de insólito e de estranhamento (Saramago, João Medina, José Gomes Ferreira, Altino do Tojal).
·         Considerações sobre a problemática da escrita (Dinis Machado, Fernando Namora, Armando da Silva Carvalho, Nuno Bragança e outros), e de tendência experimentalista.
·         Referência a Vergílio Ferreira, já há muito consagrado, à produção feminina de pendor introspectivo e sua vontade de desconstrução de um real entediante.

Cristina Robalo Cordeiro, “Ficção dos anos 70” in História da Literatura Portuguesa. Volume 7. As Correntes Contemporâneas, Lisboa, Publicações Alfa, 2002




    FICÇÃO DOS ANOS 80 DO SÉCULO XX


    Nesta década assiste-se ao regresso à História enquanto matéria ficcional de eleição. Salientam-se os nomes de José Saramago e de Lídia Jorge.

    Há ainda a notar a memória traumática da guerra de África (Manuel Alegre, João de Meio, José Manuel Mendes) e de mundos concentracionários e demenciais como em Lobo Antunes.

    Em alguns autores deparamos com o retrato alegórico da realidade portuguesa (Almeida Faria, Fernando Dacosta, Baptista-Bastos, Álvaro Guerra, Mário de Carvalho, João Aguiar, Mário Ventura).

    Sucesso da biografia romanceada (Mário Cláudio, Fernando Campos, Agustina Bessa Luís) e da narrativa de autoria feminina: Natália Correia, Luísa Dacosta, Fernanda Botelho, Maria Velho da Costa, Maria Isabel Barreno, Teolinda Gersão, Yvette Centeno, Maria Gabriela Llansol, Olga Gonçalves, Wanda Ramos, Hélia Correia, Luísa Costa Gomes, Clara Pinto Correia, Maria Ondina Braga e outras.

    Abordam-se ainda autores que vêm de décadas anteriores como Urbano Tavares Rodrigues, José Cardoso Pires, António Alçada Baptista, Augusto Abelaira, David Mourão-Ferreira ou Vergílio Ferreira.

Clara Rocha, “Ficção dos anos 80” in História da Literatura Portuguesa. Volume 7. As Correntes Contemporâneas, Lisboa, Publicações Alfa, 2002




    FICÇÃO DOS ANOS 90 DO SÉCULO XX

    Na ficção dos anos 90, a questão da «identidade nacional» e do «modo de ser português» dá lugar aos problemas de desenvolvimento do self, vistos a partir de personagens que pertencem maioritariamente às classes médias urbanas. O tom oscila entre a melancolia sem trágico e a ironia sem revolta radical. Mas a diversidade dos autores e das suas formas estéticas é ampla, não enquadrada por grupos ou escolas, e permite por certo outras leituras mais singularizadas.

Luís Mourão, “Ficção” in História da Literatura Portuguesa. Volume 7. As Correntes Contemporâneas, Lisboa, Publicações Alfa, 2002




10 CARACTERÍSTICAS PRINCIPAIS DOS ROMANCES DA GERAÇÃO DE 90

Realismo Urbano Total

1. Não existe revolução estética: a Geração de 90 recolhe e cruza singularmente as três fases anteriores da literatura portuguesa do século XX:
— é realista e descritivista (décadas de 20 a 40);
— é subjectivista (décadas de 30 a 50);
— é desconstrucionista (décadas de 60 a 80).

2. Alia o objectivismo mais chão ao subjectivismo mais delirante, aliança desprovida de mensagem e, aparentemente, correspondente ao preenchimento de um vazio individual interior (posição anti-subjectivista da literatura).

3. Perspectivismo narrativo: dissolução do eu narrativo e cruzamento de estatuto entre narrador e personagens; evidenciação no corpo do texto da própria arte ou forma do romance (posição do narrador fragmentário).

4. Semanticamente, tudo é permitido: as imagens e os jogos de palavras constroem a realidade (posição anti-referencialista da literatura).

5. Assim, o texto cria a sua própria realidade (cruzamento de realismo, subjectivismo e desconstrutivismo), abrindo novos horizontes de conhecimento social e permitindo, deste modo, que seja o texto a iluminar (dar sentido) a realidade. O texto torna-se o óculo da realidade; vemos a nova realidade portuguesa através dos textos destes autores.

6. Recolhe expressões espontâneas das mais diversas comunidades linguísticas, gerando textos multiculturais (posição anti-intelectualista da literatura).

7. Sem complexos, recolhe expressões linguísticas estrangeiras (posição anti-nacionalista da literatura).

8. Recolhe processos estilísticos de outras formas estéticas (CD-Rom, banda desenhada, guiões de filmes, publicidade...) (posição anti-sacralização ou anti-essencialista da literatura).

9. Vivência integral da dimensão temporal do presente, fazendo confluir na actualidade todas as civilizações, épocas históricas, religiões, ideologias... (o tempo é todo um).

10. O Realismo Urbano Total, como estilo dominante nas novas gerações, parece corresponder tanto a uma fase de europeização acelerada da totalidade de Portugal, quanto à emergência, pela primeira vez, de um genuíno espírito urbano ou cosmopolita que, cobrindo todo o país, influencia fortemente, através do relativismo e cepticismo éticos presentes nas grandes cidades, a literatura portuguesa.

Miguel Real, Geração de 90. Romance e Sociedade no Portugal ContemporâneoPorto, Campo das Letras, 2001, pp. 120-121





Referência a alguns escritores que continuaram a publicar nos anos 90:

Agustina Bessa Luís
Alberto Pimenta
Alexandre Pinheiro Torres
António Alçada Baptista
Armando Silva Carvalho
Augusto Abelaira
Baptista-Bastos
Fernanda Botelho
Fernando Campos
Fiama Hasse Pais Brandão
Hélder Macedo
Helena Marques
Hélia Correia
João Aguiar
José Cardoso Pires
José Saramago
Lídia Jorge
Luís Filipe Castro Mendes
Luísa Beltrão
Luísa Costa Gomes
Maria Gabriela Llansol
Maria Isabel Barreno
Maria Velho da Costa
Mário Cláudio
Mário de Carvalho
Nuno Júdice
Paulo Castilho
Rui Nunes
Rui Zink
Seomara da Veiga Ferreira
Sérgio Luís de Carvalho
Teolinda Gersão
Urbano Tavares Rodrigues
Vasco Graça Moura
Vergílio Ferreira


Referência a alguns escritores revelados nos anos 90:

Ana Teresa Pereira
Francisco Duarte Mangas
Francisco José Viegas
Jacinto Lucas Pires
José Luís Peixoto
José Riço Direitinho
Mafalda Ivo Cruz
Miguel Esteves Cardoso
Paulo José Miranda
Pedro Paixão
Pedro Rosa Mendes






    TEATRO DOS ANOS 80 E 90 DO SÉCULO XX



    Nos anos 80 salienta-se o experimentalismo, o empenhamento político e o tratamento de figuras históricas. A partir do fim dos anos 80, há uma crescente importância do texto.

Carlos Porto, “Teatro desde a Presença” in História da Literatura Portuguesa. Volume 7. As Correntes Contemporâneas, Lisboa, Publicações Alfa, 2002



     Ultimamente, porém, ao fazer o balanço anual das peças portuguesas publicadas e encenadas, torna-se claro que tem havido um acréscimo muito significativo de títulos novos nos últimos anos, e que há editoras que têm vindo a dar à estampa textos de teatro de autores vivos. Por outro lado, há cada vez mais companhias que incluem no seu repertório peças portuguesas recentes e há outras que mantêm em permanência dramaturgos e dramaturgistas, criando uma espécie de oficina de escrita e experimentação cénica. Há no Porto uma estrutura vocacionada para trabalhar sobre dramaturgias contemporâneas, e começa também a haver encomendas interessantes para refazer textos que não dramáticos para a cena, como foi a reescrita de crónicas de Lobo Antunes, do romance A Paixão, de Almeida Faria (que o próprio autor refez), ou das Viagens na minha terra, de Garrett, feita pelo Carlos Porto. E há ainda a iniciativa exemplar da SPA e do Novo Grupo de patrocinarem um prémio que já permitiu a publicação e a encenação (notável, de João Lourenço) de uma peça de grande valor: Às vezes neva em Abril, de João Santos Lopes, sobre a violência racista em gangs da periferia.
     Mas outras temáticas igualmente importantes têm vindo a ser trabalhadas por autores portugueses, como as que mais directamente interpelam o nosso quotidiano. É o caso de Mário de Carvalho que dramatizou a desagregação de valores e do convívio familiar emA rapariga de Varsóvia, ou falou, num estilo de comédia brilhante, de um perigoso tigre (leia-se: um estado fascista) que ronda um bloco de apartamentos (Se perguntarem por mim, não estou). Jorge Silva Melo escreveu sobre alguns dos condicionalismos trágicos da vida dos jovens, como é a droga (O fim, ou tende misericórdia de nós), Luísa Costa Gomes reportou-se ao quotidiano de mulheres em Nunca nada de ninguém, e Isabel Medina criou para a Escola de Mulheres uma comédia engraçadíssima sobre (des)amores de mulheres em Os novos confessionários. Mais recentemente, Maria Velho da Costa publicou uma peça excelente, Madame, e vários são os mais jovens escritores que têm visto (com relativa celeridade) as suas peças publicadas, encenadas e até premiadas.
Maria Helena Serôdio,Teatro em português” in Avante! nº 1368, 17-02-2000



As teias de Penélope: dramaturgia contemporânea no feminino: História do Teatro em Portugal
A história do teatro português mais recuada pouco ou nada contou com a contribuição de mulheres como autoras de escrita dramática. Podiam brilhar nos palcos, como artistas, mas a criação de textos foi, durante muito tempo, território quase exclusivamente masculino. Pelo menos até ao século XX, quando as lutas pelos direitos civis e pela emancipação feminina têm permitido que as mulheres que desejassem escrever para o palco se afirmassem com um estatuto de paridade com os seus homólogos masculinos.
Em especial a partir de meados do século XX e até aos nossos dias, a escrita das mulheres tem vindo a oferecer olhares complementares aos dos homens, transcendendo as questões de género para se debruçarem sobre questões do humano, que a ambos dizem respeito.
Após uma rápida recapitulação sobre as especificidades e características do teatro em Portugal no século XX, proceder-se-á ao exame de contribuições relevantes para a historiografia nacional que viram as mulheres empenhadas na primeira linha na criação duma dramaturgia com identidade própria. Aprofundar-se-á o estudo de obras de: Natália Correia, transfiguradora de mitos lusos com as ressonâncias barrocas dos seus versos; Teresa Rita Lopes, versátil cultora de géneros híbridos e que ludicamente oscila entre o riso e o siso arguto e filosófico; Hélia Correia, fascinada investigadora dos mitos clássicos gregos, interpelados com emocionada participação para neles se encontrarem novos entendimentos.
De acordo com o interesse dos alunos, manter-se-á em aberto a possibilidade de aproximação às dramaturgias de outras autoras, como Fiama Hasse Pais Brandão e Luísa Costa Gomes.

Sebastiana Fadda. In Programa de Mestrado em Estudos de Teatro 2013-2014, Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa

Bibliografia activa
CORREIA, Hélia, Perdição, Exercício sobre Antígona seguido de Florbela. Lisboa: Publicações Dom Quixote, 1991 (1ª). Lisboa: Relógio d’Água, 2006 (2ª).
---, O Rancor, Exercício sobre Helena. Lisboa: Relógio d'Água, 2000.
---, Desmesura, Exercício com Medeia. Lisboa: Relógio d’Água, 2006.
CORREIA, Natália, A pécora, Lisboa, Publicações D. Quixote, 1983.
---, O encoberto, Lisboa, Galeria Panorama, 1969 / Lisboa, Afrodite, 1986.
---, D. João e Julieta, Lisboa, Sociedade Portuguesa de Autores / Publicações D. Quixote, 1999.
---, Erros meus má fortuna amor ardente, Lisboa, Afrodite, 1981 / Lisboa, O Jornal, 1991.
---, Auto do Solstício do Inverno, inédito, texto policopiado, 1989.
LOPES, Teresa Rita, Teatro reunido, 2 vols., Lisboa, Imprensa Nacional-Casa da Moeda, Biblioteca de Autores Portugueses, 2007.

Bibliografia passiva
BARATA, José Oliveira, História do teatro português, Lisboa, Universidade Aberta, 1991.
---, História do teatro em Portugal (séc. XVIII). António José da Silva (o Judeu) no palco joanino, Lisboa, DIFEL, Memória e Sociedade, 1998.
BASTOS, Glória / VASCONCELOS, Ana Isabel P. Teixeira de, O teatro em Lisboa no tempo da Primeira República, Lisboa, Museu do Teatro, 2004
COELHO, Rui Pina, Casa da Comédia (1946-1975): Um palco para uma ideia de teatro, Lisboa, Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 2009.
CORVIN, Michel, Dictionnaire encyclopédique du theatre, Paris, Bordas, 1991.
FALCÃO, Miguel, Espelho de ver por dentro: O percurso de Alves Redol, Lisboa, Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 2009.
PAVIS, Patrice, Dictionnaire du théâtre, preface de Anne Ubersfeld, edition revue et corrigée, Paris, Armand Colin, 2002.
PICCHIO, Luciana Stegagno, História do teatro português, Lisboa, Portugália, 1969.
RAMALHETE, Ana Maria / MARTINS, Fernando Cabral /MEDEIROS, Luísa /SILVA, Manuela Parreira da (org.), Memórias, gestos, palavras. Textos oferecidos a Teresa Rita Lopes, Lisboa, Assírio & Alvim, Peninsulares / 97.
REBELLO, Luiz Francisco, Teatro português do romantismo aos nossos dias:cento e vinte anos de literatura teatral portuguesa, Lisboa, Círculo do Livro, 2 vols., s.d.
---, O teatro simbolista e modernista (1890-1939), Lisboa, Instituto de Cultura e Língua Portuguesa, Biblioteca Breve, 1979. 
---, Breve história do teatro português, Lisboa, Publicações Europa-América, Colecção Saber, 2000 (5ª edição revista e actualizada).
---, Três espelhos: Uma visão panorâmica do teatro português do liberalismo à ditadura (1820-1926), Lisboa, Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 2010.
SANTOS, Graça, O espectáculo desvirtuado, Lisboa, Editorial Caminho, 2004.
SERÔDIO, Maria Helena, “Dramaturgia”, in Fernando J.B. Martinho (coord.), Literatura portuguesa do século XX, Lisboa, Instituto Camões, Cadernos, 2004, pp. 95-141.
VASQUES, Eugénia, 9 considerações em torno do teatro em Portugal nos anos 90, Lisboa, Ministério da Cultura / IPAE-Instituto Português das Artes do Espectáculo, 1998.
---, Mulheres que escreveram teatro no século XX em Portugal, Lisboa, Edições Colibri, 2001.




Referência a alguns nomes que escreveram teatro nos anos 80:

Abel Neves
António Júlio Valarinho
António Macedo
António S. Ribeiro
António Torrado
Carlos Correia
Carlos J. Pessoa
Eduarda Dionísio
Fernando Augusto
Fernando Dacosta
Fernando Gomes
Filipe La Féria
João Brites
Joaquim Pacheco Neves
José Jorge Letria
Luísa Costa Gomes
Luz Franco
Mário Cláudio
Miguel Rovisco
Pedro Barbosa


Referência a alguns nomes que escreveram teatro nos anos 90:

Abel Neves
Alice Vieira,
Almeida Faria
António Torrado
Augusto Sobral
Carlos Alberto Machado
Dinis Cayolla Ribeiro
Eduarda Dionísio
Fernando Amado
Fernando Augusto
Filipe La Féria
Fonseca Lobo
Francisco Nicholson
Francisco Pestana
Hélder Costa
Hélia Correia
Jaime Gralheiro
Jaime Rocha
Jaime Salazar Sampaio
João Osório de Castro
João Santos Lopes
Jorge Guimarães
Jorge Listopad
Jorge Silva Melo
José Jorge Letria
José Maria Vieira
Júlia Nery
Luísa Costa Comes
Luiz Francisco Rebello
Manuel Córrego
Manuel Wiborg
Maria do Céu Ricardo
Maria Judite de Carvalho
Maria Velho da Costa
Mário de Carvalho
Natália Correia
Norberto Ávila
Orlando da Costa
Orlando Neves
Pedro Bandeira Freire
Sophia de Mello Breyner Andresen
Teresa Rita Lopes
Vicente Sanches
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Projeto concebido por José Carreiro. 
1.ª edição: http://lusofonia.com.sapo.pt/literatura_portuguesa.htm, 2007-2015.
2.ª edição: http://lusofonia.x10.mx/literatura_portuguesa.htm, 2016.