domingo, 8 de maio de 2011

CINE-FICHA


   
A ARTE DE SER ESPECTADOR
   
   
Aparentemente, nada há de mais natural do que ser  espectador. Salvo se se for cego, parece que basta colocar-se no local apropriado, abrir os olhos e... ver. E, no entanto, as coisas são bem mais complicadas. Bastará pensar neste exemplo simples: não apreendemos todos as mesmas coisas, apesar de vermos possivelmente o mesmo. Além disso, a representação (no sentido da encenação e de re-presentação, de voltar a tornar presente) que o cinema é, pressupõe do seu espectador uma formação acerca dos seus códigos, das suas linguagens e dos seus contextos. E esta formação alarga e enriquece o acto de ver. Em conclusão, nada de menos natural do que ser espectador.
     
Manuel Pinto e António Santos, O Cinema e a Escola,
Cadernos PÚBLICO na Escola, 1996, p. 41.
   
   
   
Diante de um filme, há que ver e ouvir cada plano e cada sequência como unidades que se sucedem sem parar. Há que fixar-se em todos os detalhes que compõem um plano: como se movimentam as personagens que o preenchem e que expressões assumem; como evoluciona a câmara, se é que se movimenta, e o que é que nos mostra em cada momento; o que é que quer dizer quando se ergue por cima do olhar ou quando passa a focar um pormenor, seja um objecto ou um aspecto de um rosto; como intervêm a música ou os ruídos para definir o clima que se quer transmitir; como é que, graças à montagem, se passa a outra cena ou situação distinta e como se encadeiam numa linha narrativa contínua, etc.
    
Joaquim Romaguera y Ramió, El Lenguage Cinematográfico.
   
   
   
    
    
A CRÍTICA CINEMATOGRÁFICA
   
    
Que devemos esperar de uma crítica de cinema? Pela minha parte, poderia sintetizar a resposta em três pontos:
    
Em primeiro lugar, procuro que um crítico de cinema me leve a ver num filme um certo número de pontos e de aspectos que me tinham passado despercebidos; e, em última instância, que tenha  sobre a obra em questão uma perspectiva interpretativa original que me obrigue a repensar a minha própria experiência de espectador.
    
Gostaria também que o crítico fosse o agente de cultura, capaz de me situar o filme de que se ocupa no espaço contemporâneo da história, da política, da arte e do pensamento.
Por fim, gosto dos críticos que afirmam as suas paixões, que têm os “seus” autores, que são capazes de dialogar com eles e que, de certo modo, participam teoricamente no próprio processo de criação artística.
     
Eduardo Prado Coelho, Público, 13/03/1995.
   
    
     
   
    
LEITURA CRÍTICA DE UM FILME
    
     
Mariolina Gamba, num artigo publicado na revista Cinema, no número 20, de Maio de 1992, propõe uma sequência de dez pontos para análise de um filme:
    
1.      Divisão do filme em episódios (sequências ou capítulos). Procura das cenas principais (a cena caracteriza-se por uma unidade ambiente).
    
2.      Individualização das personagens que aparecem no filme. (Entende-se por personagem todo o ser que tem uma acção individual no filme. Como tal, pode ser uma pessoa, um animal, uma coisa, um grupo).
     
3.      Individualização do protagonista (elemento central do filme a nível narrativo, à volta do qual se desenrola a história. Pode coincidir com uma personagem ou, em casos extremos, ser uma relação entre personagens).
     
4.      Conclusão da análise narrativa – o filme é a história de...
     
5.      Procura das características das personagens, das relações entre si e com a protagonista, com o fim de individualizar os aspectos técnicos do filme.
    
6.      Formulação do “tema” do filme, aquilo que o autor quis comunicar-nos através da obra.
        
7.      Reflexão sobre o conteúdo do filme. O tema central e outros eventuais temas serão válidos ou discutíveis? Consideração dos comportamentos das personagens e do protagonista.
         
8.      Reflexão sobre os aspectos linguísticos e estéticos (unidade do filme ou sua falta, uso da linguagem das imagens, interpretação dos actores, música, etc.). Consideração estética – como se exprime o tema central do filme e outros eventuais temas. Há harmonia no filme relativamente ao emprego dos diversos elementos da linguagem cinematográfica?
          
9.      Confronto entre o que o filme exprime e a própria experiência pessoal e social.
          
10.  Outras considerações julgadas oportunas (sociais, políticas. históricas. educativas...).
           
Manuel Pinto e António Santos, O Cinema e a Escola,
Cadernos PÚBLICO na Escola, 1996., p.74.
       
       
    
    
CINE-FICHA   (apreciação de filmes)
     
     
-       Título
-       Título original
-       Realizador
-       Argumentista
-       Género
-       País de origem
-       Data
-       Actores principais
-       Actores secundários
       
-       Contextualização histórica, política e social
-       Espaço(s) de acção
-       Breve síntese (“O filme é a história de...”)
-       Procura das características das personagens, das relações entre si e com a protagonista, com o fim de individualizar os aspectos técnicos do filme.
-       Formulação do “tema” do filme, aquilo que o autor quis comunicar-nos através da obra.
-       Reflexão sobre o conteúdo do filme. O tema central e outros eventuais temas serão válidos ou discutíveis? Consideração dos comportamentos das personagens e do protagonista.
-       Reflexão sobre os aspectos linguísticos e estéticos (unidade do filme ou sua falta, uso da linguagem das imagens, fotografia, música, caracterização e interpretação dos actores, guarda-roupa, etc.). Consideração estética – como se exprime o tema central do filme e outros eventuais temas. Há harmonia no filme relativamente ao emprego dos diversos elementos da linguagem cinematográfica?
-       Aspectos que mais apreciei
-       Aspectos que menos apreciei
-       Balanço crítico
         
         

[Post original: http://comunidade.sol.pt/blogs/josecarreiro/archive/2011/05/08/cinema.aspx]